quinta-feira, 16 de junho de 2011

Postado por Yasmin Cristina e enviado por Patrícia C. Barbosa


Moacyr Scliar



Moacyr Jaime Scliar nasceu em Porto Alegre (RS), no Bom Fim, bairro que até hoje reúne a comunidade judaica, a 23 de março de 1937, filho de José e Sara Scliar. Sua mãe, professora primária, foi quem o alfabetizou. Cursou, a partir de 1943, a Escola de Educação e Cultura, daquela cidade, conhecida como Colégio Iídiche. Transferiu-se, em 1948, para o Colégio Rosário, uma escola católica.Autor de 53 livros, em vários gêneros: conto, romance, crônica, ficção juvenil, ensaio. Obras suas foram publicadas nos Estados Unidos, França, Alemanha, Espanha, Portugal, Inglaterra, Itália, Tchecoslováquia, Suécia, Noruega, Polônia, Bulgária, Japão, Argentina, Colômbia, Venezuela, México, Canadá, Israel e outros países, com grande repercussão crítica. 
Recebeu vários prêmios, entre os quais: Academia Mineira de Letras (1968), Joaquim Manuel de Macedo (1974), Érico Veríssimo (1975), Cidade de Porto Alegre (1976), Brasília (1977), Guimarães Rosa (1977), Associação Paulista de Críticos de Arte (1980), Casa de las Américas (1989), José Lins do Rego, da Academia Brasileira de Letras (1998), Jabuti (1988, 1993 e 2000, neste último ano por A Mulher que Escreveu a Bíblia). Tem trabalhos adaptados para cinema, tevê, teatro e rádio. É colunista dos jornais Zero Hora (Porto Alegre) e Folha de S. Paulo. Foi professor visitante nas Universidades de Brown e Austin. 
A vocação para a literatura surgiu cedo. Os pais, imigrantes judeus-russos moradores no bairro do Bom Fim em Porto Alegre, eram grandes contadores; a mãe, professora, iniciou-o cedo na leitura. Logo estava escrevendo historinhas que circulavam no bairro. Mais tarde, estudante de Medicina, publicou vários contos. Sua primeira obra de importância apareceu em 1968; era O Carnaval dos Animais, um livro de contos que alcançou grande repercussão crítica.
Duas influências são importantes na obra de Scliar. Uma é sua condição de filho de imigrantes; a outra é sua formação como médico de saúde pública, porta de entrada para a realidade social brasileira. Em sua carreira, papel importante é reservado à literatura juvenil, que define como "um reencontro com o jovem leitor que procurava nos livros um sentido para a vida e para o mundo". 
Em 31 de julho de 2003 foi eleito, por 35 dos 36 acadêmicos com direito a voto, para a Academia Brasileira de Letras, na cadeira nº 31, ocupada até março de 2003 por Geraldo França de Lima. Tomou posse em 22 de outubro daquele ano, sendo recebido pelo poeta gaúcho Carlos Nejar.
O escritor faleceu no dia 27/02/2011, em Porto Alegre (RS), vítima de falência múltipla de órgãos. 





"Acredito, sim, em inspiração, não como uma coisa que vem de fora, que "baixa" no escritor, mas simplesmente como o resultado de uma peculiar introspecção que permite ao escritor acessar histórias que já se encontram em embrião no seu próprio inconsciente e que costumam aparecer sob outras formas — o sonho, por exemplo. Mas só inspiração não é suficiente".







OBRAS DO AUTOR

Conto

* O carnaval dos animais. Porto Alegre, Movimento, 1968.

* A balada do falso Messias. São Paulo, Ática, 1976.

* Histórias da terra trêmula. São Paulo, Escrita, 1976.

* O anão no televisor. Porto Alegre, Globo, 1979.

* Os melhores contos de Moacyr Scliar. São Paulo, Global, 1984.

* Dez contos escolhidos. Brasília, Horizonte, 1984.

* O olho enigmático. Rio, Guanabara, 1986.

* Contos reunidos. São Paulo, Companhia das Letras, 1995.

* O amante da Madonna. Porto Alegre, Mercado Aberto, 1997.

* Os contistas. Rio, Ediouro, 1997.

* Histórias para (quase) todos os gostos. Porto Alegre, L&PM, 1998.

* Pai e filho, filho e pai. Porto Alegre, L&PM, 2002.


Romance

* A guerra no Bom Fim. Rio, Expressão e Cultura, 1972. Porto Alegre, L&PM.

* O exército de um homem só. Rio, Expressão e Cultura, 1973. Porto Alegre, L&PM.

* Os deuses de Raquel. Rio, Expressão e Cultura, 1975. Porto Alegre, L&PM.

* O ciclo das águas. Porto Alegre, Globo, 1975; Porto Alegre, L&PM, 1996.

* Mês de cães danados. Porto Alegre, L&PM, 1977.

* Doutor Miragem. Porto Alegre, L&PM, 1979.

* Os voluntários. Porto Alegre, L&PM, 1979.

* O centauro no jardim. Rio, Nova Fronteira, 1980. Porto Alegre, L&PM. (Prêmio APCA).

* Max e os felinos. Porto Alegre, L&PM, 1981.

* A estranha nação de Rafael Mendes. Porto Alegre, L&PM, 1983.

* Cenas da vida minúscula. Porto Alegre, L&PM, 1991.

* Sonhos tropicais. São Paulo, Companhia das Letras, 1992. (Prêmio Jabuti).

* A majestade do Xingu. São Paulo, Companhia das Letras, 1997.

* A mulher que escreveu a Bíblia. São Paulo, Companhia das Letras, 1999.

* Os leopardos de Kafka. São Paulo, Companhia das Letras, 2000.

* Mistérios de Porto Alegre. Artes e Ofícios, 2004.

* Na Noite do Ventre, o Diamante. Rio de Janeiro: Ed. Objetiva, 2005.

* Os vendilhões do templo. 2006.

* Manual da paixão solitária. Cia. das Letras. 2008. (Prêmio Jabuti).

* Eu vos abraço, milhões. 2010.


Ficção infanto-juvenil

* Cavalos e obeliscos. Porto Alegre, Mercado Aberto, 1981; São Paulo, Ática, 2001.

* A festa no castelo. Porto Alegre, L&PM, 1982.

* Memórias de um aprendiz de escritor. São Paulo, Cia. Editora Nacional, 1984.*

* No caminho dos sonhos. São Paulo, FTD, 1988.

* O tio que flutuava. São Paulo, Ática, 1988.

* Os cavalos da República. São Paulo, FTD, 1989.

* Pra você eu conto. São Paulo, Atual, 1991.

* Uma história só pra mim. São Paulo, Atual, 1994.

* Um sonho no caroço do abacate. São Paulo, Global, 1995.

* O Rio Grande farroupilha. São Paulo, Ática, 1995.

* Câmera na mão, o Guarani no coração. São Paulo, Ática, 1998.

* A colina dos suspiros. São Paulo, Moderna, 1999.

* Livro da medicina. São Paulo, Companhia das Letrinhas, 2000.

* O mistério da Casa Verde. São Paulo, Ática, 2000.

* O ataque do comando P.Q. São Paulo, Ática, 2001.

* O sertão vai virar mar, São Paulo, Ática, 2002.

* Aquele estranho colega, o meu pai. São Paulo, Atual, 2002.

* Éden-Brasil. São Paulo, Companhia das Letras, 2002.

* O irmão que veio de longe. Idem, idem.

* Nem uma coisa, nem outra. Rio, Rocco, 2003.

* Navio das cores. São Paulo, Berlendis & Vertecchia, 2003.


Crônica

* A massagista japonesa. Porto Alegre, L&PM, 1984. 

Um país chamado infância. Porto Alegre, Sulina, 1989. 

Dicionário do viajante insólito. Porto Alegre, L&PM, 1995. 

Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar. Porto Alegre, L&PM, 1996. Artes e Ofícios, 2001.

O imaginário cotidiano. São Paulo, Global, 2001.

A língua de três pontas: crônicas e citações sobre a arte de falar mal. Porto Alegre.


Ensaio

A condição judaica. Porto Alegre, L&PM, 1987.

Do mágico ao social: a trajetória da saúde pública. Porto Alegre, L&PM, 1987; SP, Senac, 2002.

Cenas médicas. Porto Alegre, Editora da Ufrgs, 1988. Artes&Ofícios, 2002.

Se eu fosse Rotschild. Porto Alegre, L&PM, 1993.

Judaísmo: dispersão e unidade. São Paulo, Ática, 1994.

Oswaldo Cruz. Rio, Relume-Dumará, 1996.

A paixão transformada: história da medicina na literatura. São Paulo, Companhia das Letras, 1996.

Meu filho, o doutor: medicina e judaísmo na história, na literatura e no humor. Porto Alegre, Artes Médicas, 2000.

Porto de histórias: mistérios e crepúsculos de Porto Alegre. Rio de Janeiro, Record, 2000.

A face oculta: inusitadas e reveladoras histórias da medicina. Porto Alegre, Artes e Ofícios, 2000.

A linguagem médica. São Paulo, Publifolha, 2002.

Oswaldo Cruz & Carlos Chagas: o nascimento da ciência no Brasil. São Paulo, Odysseus, 2002.

Saturno nos trópicos: a melancolia européia chega ao Brasil. São Paulo, Companhia das Letras, 2003.

Judaísmo. São Paulo, Abril, 2003.

Um olhar sobre a saúde pública. São Paulo, Scipione, 2003.




Morte

Scliar morreu por volta da 1h do dia 27 de fevereiro de 2011, aos 73 anos, de falência múltipla dos órgãos. Ele estava internado no Hospital de Clínicas de Porto Alegre desde o dia 11 de janeiro, quando deu entrada para a retirada de pólipos (formações benignas) no intestino. A cirurgia foi bem sucedida, mas o escritor acabou tendo um acidente vascular cerebral (AVC) no dia 17 de janeiro, durante o período de recuperação, falecendo quase cinquenta dias depois de sua entrada no hospital


Prêmios

§  Prêmio Jabuti de Literatura, 1988, categoria Contos, Crônicas e Novelas
§  Prêmio APCA, 1989, categoria Literatura
§  Prêmio Casa de las Americas, 1989, categoria Conto
§  Prêmio Jabuti de Literatura, 1993, categoria Romance
§  Prêmio Jabuti de Literatura, 2009, categoria Romance


Adaptação para o cinema

Em 1998, o romance "Um Sonho no Caroço do Abacate" foi adaptado para o cinema, com o título "Caminho dos Sonhos", sob a direção deLucas Amberg. O filme participou dos festivais de Gramado, Miami, Trieste e outros. O filme narra a história do filho de um casal de imigrantes judeus lituanos que se estabelece no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, nos anos 1960. O jovem Mardo (Edward Boggiss) apaixona-se por Ana (Taís Araújo), uma estudante negra. Os jovens encontram no amor a força e a determinação para enfrentarem a discriminação na escola onde estudam e o preconceito entre as famílias.
Em 2002, o romance Sonhos Tropicais foi adaptado para o cinema sob a direção de André Sturm, com Carolina Kasting, Bruno Giordano,Flávio Galvão, Ingra Liberato e Cecil Thiré no elenco. O filme relata o combate à febre amarela no Rio de Janeiro, comandado pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz, e a resistência da população à vacinação obrigatória, que resultou na chamada Revolta da Vacina. Em paralelo, é narrada a história de uma jovem judia polonesa, que imigra para o Brasil em busca de uma vida melhor, mas acaba por se prostituir.



Carreira

Scliar publicou mais de setenta livros, entre crônicas, contos, ensaios, romances eliteratura infanto-juvenil. Seu estilo leve e irônico lhe garantiu um público bastante amplo de leitores, e em 2003 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, tendo recebido antes uma grande quantidade de prêmios literários como o Jabuti (1988, 1993 e 2009), o Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) (1989) e o Casa de las Américas (1989).
Suas obras frequentemente abordam a imigração judaica no Brasil, mas também tratam de temas como o socialismo, a medicina (área de sua formação), a vida de classe média e vários outros assuntos. O autor já teve obras suas traduzidas para doze idiomas.
Em 2002 ele se envolveu em uma polêmica com o escritor canadense Yann Martel, cujo famoso romance A Vida de Pi, vencedor do prêmio Man Booker, foi acusado de ser um plágio da sua novela Max e os felinos. O escritor gaúcho, no entanto, diz que a mídia extrapolou ao tratar do caso, e que ele nunca teve o intuito de processar o escritor canadense.
Entre suas obras mais importantes estão os seus contos e os romances O ciclo das águas, A estranha nação de Rafael Mendes, O exército de um homem só e O centauro no jardim, este último incluído na lista dos 100 melhores livros de temática judaica dos últimos 200 anos, feita pelo National Yiddish Book Center nos Estados Unidos.

                                           Patrícia C. Barbosa 
                                          Diego Leonardo 

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